Reforma da casa de filha de Temer teve propina de Angra 3, diz juiz

quinta-feira, 21 de março de 2019

/ Por: REDAÇÃO

Informações: R7


Uma reforma na casa de Maristela Temer, uma das filhas do ex-presidente Michel Temer, foi custeada com recursos de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro de um contrato relacionado à construção da usina de Angra 3 pela Eletronuclear, afirmou o juiz federal Marcelo Bretas ao decretar a prisão de Temer e de outros suspeitos de envolvimento no esquema ilícito.

Responsável pela operação Lava Jato no Rio de Janeiro, Bretas diz em sua decisão que o Ministério Público Federal afirma que o crime de lavagem de dinheiro em benefício de Temer e da família ocorreu, principalmente, pela atuação de quatro operadores financeiros, dentre eles o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho, amigo do ex-presidente e também preso nesta quinta-feira.

De acordo com as investigações, eles utilizavam contratos de prestação de serviços fictícios para possibilitar o recebimento de propina.

O principal caso narrado no decreto de prisão de Temer é a reforma na casa de Maristela, que foi administrada pela mulher do coronel Lima e sócia na empresa que venceu o contrato para a construção de Angra 3, Maria Rita Fratezi, que chegou a admitir no curso das investigações que pagava os fornecedores "em dinheiro vivo", alcançando o valor de 1,3 milhão de reais.


"Há fortes indícios de que a reforma da residência de Maristela Temer ocorreu com a utilização de numerário ilícito proveniente de propina, em tese, recebida diretamente na Argeplan, por coronel Lima e Maria Rita, em nome de Temer", disse Bretas.

"Desse modo, a obra realizada na residência da filha do ex-presidente teria sido uma forma de escamotear parte dos valores recebidos pelo político e seu operador financeiro", completou Bretas.

Além de documentos colhidos no curso da investigação, a delação premiada do ex-sócio da Engevix José Antunes Sobrinho foi outro importante elemento para levar o ex-presidente à prisão. 

Na colaboração, Sobrinho disse que a empresa do coronel Lima, que se associou à Engevix para o contrato na Eletronuclear, não tinha qualificação técnica para participar da licitação para a obra de Angra 3, mas conseguiu se associar a outras empresas em razão da influência política que detinha com o então presidente da empresa nuclear, o almirante Othon Pinheiro.

Em depoimento, Sobrinho chegou a narrar um encontro que teve com Temer e Lima no qual o ex-presidente disse que o coronel possuía carta branca para atuar em seu nome.

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