Lago de Maracaibo, na Venezuela, sofre com vazamento de petróleo

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

/ Por: REDAÇÃO
FOTO/REPRODUZIDA
O cheiro lembra o de uma refinaria e o óleo impregna tudo o que toca. No oeste da Venezuela, o Lago de Maracaibo, cujo subsolo está cheio de petróleo, sofre com constante vazamento, alimentado por oleodutos e poços sem manutenção.
O pescador atual perto da margem oriental do Lago Maracaibo – uma imensa extensão de água de 13,2 mil km², e se liga ao mar do Caribe por um estreito. Suas ferramentas de trabalho atestam: o casco da embarcação está coberto por uma camada de petróleo e as redes estão enegrecidas após terem sido submersas na água contaminada.
 A contaminação é visível por todos os lados. Manchas de petróleo abrem caminho na água verde e as margens ficam salpicadas de poças pretas e pastosas. Do alto de uma palmeira, uma ave se agita para tentar se desfazer do petróleo que cobre suas asas. Em vão.
Giovanny Villarreal é vizinho de Paúl e também é pescador. Em um cesto, dá para ver como parece modesta a pesca do dia: há poucos caranguejos, que se contorcem.
Giovanny é testemunha deste "constante vazamento de petróleo". Sua casa foi construída sobre palafitas no lago. "Às vezes, à noite não podemos dormir porque cheira a gás. O gás produzido pelo petróleo", explica o pescador.
Antes de deixar sua marca no ecossistema, os hidrocarbonetos que jazem debaixo do lago impulsionaram a riqueza em Maracaibo, a segunda cidade do país, e de toda a região oeste da Venezuela.
Agora, a Venezuela, que abriga as maiores reservas mundiais de ouro negro, atravessa a pior crise econômica de sua história recente. O colapso do setor petroleiro é tanto uma causa como uma consequência.
A queda nos preços do petróleo, combinada com as sanções dos Estados Unidos, e a falta de manutenção da infraestrutura derrubaram a produção de 3,2 milhões de barris por dia (bpd), há dez anos, para menos de um milhão de bpd atualmente.
A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) não tem os meios para manter milhares de quilômetros de cabos e tubulações submarinas, uma deterioração que gera mais danos ambientais. Em outras palavras, "produz-se menos, mas há mais contaminação", diz o especialista.
A PDVSA não publicou cifras do volume de petróleo que vaza diariamente no Lago de Maracaibo. A AFP pediu a informação à companhia, mas não obteve resposta.
Yurasi Briceño, bióloga do Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas, estatal, concentrou seu trabalho na fauna da parte setentrional do lago. Onde ela trabalha, "há pelo menos oito plataformas e três delas estão liberando petróleo desde outubro do ano passado", diz.
"Temos visto os peixes irem para a margem, todos manchados de petróleo, e têm toda a pele machucada pelo petróleo. Nós, como últimos consumidores da cadeia alimentar, que comemos caranguejos e camarões, também nos contaminamos" com os elementos tóxicos que os animais ingeriram, afirma a cientista.
Em Cabimas, Giovanny assegura ter feito apelos à indústria petroleira e ao Ministério do Meio Ambiente para que apareçam, se encarreguem do assunto mas, lamenta ela, "não dão as caras".
É que o problema não é apenas a contaminação. Nos últimos anos, com a crise econômica, a pirataria aumentou no Lago de Maracaibo.
FONTE/AGAZETABAHIA

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