"mordaça" e preso na Lava Jato: o condomínio de Bolsonaro

sábado, 2 de novembro de 2019

/ Por: REDAÇÃO
Condomíno Vivendas da Barra, onde o presidente Jair Bolsonaro (PSL) possui uma casa - Gabriel Sabóia/UOL
foto: reproduzida

RESUMO DA NOTÍCIACondomínio de Bolsonaro tem mais de cem casas avaliadas em até R$ 4 milhões
A ordem para funcionários é manter silêncio após depoimento de porteiro
Corretores definem local como "oásis", o que destoa das recentes operações policiais
Local foi QG da campanha de Bolsonaro e atraiu milhares de eleitores

Quartel-general da campanha que levou Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República, o condomínio Vivendas da Barra, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro, voltou a ganhar evidência após reportagem da TV Globo relatar que um porteiro disse à polícia que um dos acusados de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes pediu para ir à casa do presidente no dia do crime.

Ontem, a ordem para os funcionários do residencial era manter silêncio ante as abordagens de jornalistas. Questionado se algum integrante da família Bolsonaro se encontrava no local —Carlos Bolsonaro (PSC) mora lá—, um dos porteiros deixou clara a adoção de uma espécie de "lei da mordaça" por parte da administração do residencial. "Rapaz, se eu abro a boca, eu rodo. Só estou fazendo o que me mandaram. Pelo amor de Deus.Ao avistar jornalistas na porta do condomínio de classe alta, um morador comentou: "A nossa paz acabou". "De novo", respondeu o amigo, evidenciando que moradores vêm se habituando ao movimento. A dupla driblou a imprensa ao chegar da praia —o conjunto de mais de cem casas fica de frente para a praia da Barra da Tijuca.

Sites de imóveis mostram poucas casas do Vivendas da Barra disponíveis para venda —os valores variam de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões. Os imóveis têm entre três e seis quartos e seus terrenos podem chegar a 600 m². Algumas das casas de alto padrão contam com quintal, piscina e churrasqueira.

A casa em que Bolsonaro morou na última década é considerada modesta em comparação com outras do condomínio. Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nas últimas eleições, o imóvel foi declarado pelo valor de R$ 603,8 mil.

Corretores definem o local como "oásis" e "refúgio", definições que destoam das recentes operações policiais no local.

Em julho, o empresário Guilherme Esteves de Jesus foi preso pela Operação Lava Jato no local.

Poucos meses antes, em março, o policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos 13 tiros que mataram Marielle e Anderson, foi preso no condomínio, enquanto tentava fugir da operação policial. Lessa morava na casa 66 da Rua C —mesma rua onde fica o imóvel de Bolsonaro no número 58. Atualmente, a casa do presidente é ocupada pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC).

Entre agosto e dezembro do ano passado, a única cancela de entrada no condomínio precisou ser cercada por gradis devido à destruição dos canteiros de plantas por causa da movimentação de jornalistas e curiosos. Moradores precisavam se identificar antes de seguir para seus destinos e, muitas vezes, encontravam congestionamentos nas ruas do condomínio.

Foi no local que Bolsonaro reuniu a sua equipe de campanha na reta final das eleições e se recuperou do ataque à faca que sofreu em Juiz de Fora (MG) em setembro de 2018.

Entretanto, foi em outubro do ano passado que a região teve a maior concentração de público: milhares de eleitores de Bolsonaro comemoraram no local a sua vitória sobre Fernando Haddad (PT) no segundo turno, interrompendo o fluxo de carros na avenida Lúcio Costa.
Porteiro envolve Bolsonaro no Caso Marielle; MP descarta

A reportagem do Jornal Nacional mostrou que às 17h10 do dia 14 de março de 2018, data dos assassinatos de Marielle e Anderson, o porteiro registrou no livro de visitantes o nome Élcio, o carro, um Logan, a placa, AGH 8202, e a casa que o visitante iria, a de número 58 (casa de Jair Bolsonaro) no Condomínio Vivendas da Barra.

O porteiro disse à polícia que ligou para a casa 58 para confirmar se o visitante tinha autorização para entrar e que identificou a voz de quem atendeu como sendo a do "Seu Jair". "Élcio" seria Élcio de Queiroz —apontado como motorista do veículo usado para o crime.

O porteiro explicou, conforme a reportagem, que acompanhou a movimentação do carro pelas câmeras de segurança e viu que o veículo tinha ido para a casa onde morava Ronnie Lessa. O porteiro disse, em depoimento, que ligou de novo para a casa 58, e que o homem identificado por ele como "Seu Jair" teria dito que sabia para onde Élcio estava indo.

Ontem, a promotora Simone Sibílio, que coordena o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-RJ (Ministério Público do Rio), afirmou que houve busca e apreensão na guarita de entrada, quando foi apreendido o livro físico que registra as entradas no local.

O documento registra que Élcio pediu autorização para ir à casa 58, onde vive Bolsonaro. No entanto, a cabine conta com um sistema de gravação dos áudios do interfone. Perícia nas gravações revelou que foi Ronnie Lessa quem autorizou a entrada, e não Bolsonaro.

"Quem atende não é a pessoa com prerrogativa de função [Jair Bolsonaro]. Se ele [o porteiro] se equivocou, se esqueceu, isso será apurado. O que podemos dizer é que não há compatibilidade entre os depoimentos do porteiro e a prova pericial. A pessoa que autoriza a entrada é Ronnie Lessa. Qualquer informação que difere disso é equivocada", disse a promotora.

fonte:uol

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